Longe daqui, aqui mesmoPara perceber e escrever imagens
06/12/2010 17:00

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New York, uma noite chuvosa, numa festa barulhenta.
- Não acredito, não acredito. Fomos pegos, em flagrante Andy.
- Sempre somos e sempre seremos pegos em flagrante Keith . Felicidade é um segredo.
- Pois é, mas agora nossas dúvidas serão eternizadas.
- Melhor nossas dúvidas do que nossos medos. Nossos medos... Isso seria uma mentira. Eu não tenho medo.
- Eu tenho.
(Pausa)
- Por favor, vamos sair daqui. Então nos abraçaremos.
- Tá Andy.

Com este post, Fabiana Faleiros deu início ao blog de registros sobre a oficina “Como se escreve uma imagem?”, ministrada na 29ª Bienal de São Paulo. A oficina durou duas semanas, tempo em que Fabiana trabalhou com os participantes a criação de textos-poemas, tendo como matéria-prima obras, imagens e conteúdos de artistas presentes na 29ª Bienal.

Como produto final da oficina será lançada a publicação "Como se escreve uma imagem?", que reúne os textos criados pelos participantes. No lançamento haverá uma conversa com os escritores sobre o processo de utilizar imagens da 29 Bienal de São Paulo como dispositivos para a escrita. O livro conta com textos de Anike Laurita, Caroline Carrion, Fabio Morais, Fernando Peres,  Guilherme do Vale Oliveira, Julia Ayerbe, Lucimar Bello e Rafael RG.

Nesta entrevista, Fabiana fala sobre a experiência e sobre as estratégias utilizadas nas percepções e elaborações de conteúdos.

Em sua maioria, as oficinas de literatura lidam essencialmente com a palavra, como matéria-prima. Em “Como se escreve uma imagem?”, você propõe imagens como dispositivos ou recursos criativos para a escrita. De onde partiu essa ideia?
Fabiana Faleiros: A ideia partiu de indagações que tenho sobre a relação das palavras com as imagens. Quando lemos ou escrevemos simultaneamente criamos imagens mentais particulares. Um texto sozinho já está cheio de imagens. Uma imagem técnica, pensando em uma fotografia, é um acontecimento que está ali representado, é algo pronto. Criar um texto para alguma coisa que já existe me parece uma forma de modificar uma cena, inventar, acrescentar dados a ela. Uma legenda, um título ou uma frase associada a uma imagem já nos faz percebê-la de outra forma. Quando estava projetando a oficina pensei muito na escritora e cineasta Marguerite Duras, que trabalha muito em seus filmes com a dissociação entre texto e imagem, criando distâncias entre a imagem e o enunciado do som. Ela faz com que na imagem não se "veja" nada, livrando-a da obrigatoriedade de representação do mundo. Pensei em criar significados que surgem na associação da imagem com o texto, entre uma coisa e outra, que é uma imagem mental.

O que você pretendia suscitar com essa proposta?
FF: A intenção foi criar uma relação particular dos participantes com a Bienal de São Paulo, já que a idéia era criar textos para imagens da exposição. Ao escrever sobre uma obra existe um movimento de apropriação, de resignificação da imagem. Quando estou num processo de criação de um projeto artístico costumo escrever, e muitas vezes os textos se tornam poemas independentes. Às vezes é difícil fazer com que o projeto exista materialmente no mundo, mas escrever sempre é possível. Pensei no movimento inverso. A obra está ali e o que e como podemos falar sobre ela? No momento estou produzindo uma publicação que conta com os textos dos participantes e que integrará o acervo da Biblioteca Longe Daqui, Aqui Mesmo.

Em que consiste a oficina? Como foram projetados os exercícios? E como as imagens foram escolhidas para serem utilizadas nos exercícios?
FF: Parti da seguinte pergunta para os participantes: Que relação você tem com a palavra e com a imagem? Essa conversa inicial foi o ponto de partida para que eu elaborasse propostas mais diretas para cada um. Também criei um roteiro das obras da 29ª Bienal, que lidam com a associação entre imagem e palavra e discutimos sobre o trabalho de cada artista.
O primeiro exercício foi escrita automática. Eles tinham 20 minutos para escolher uma imagem e escrever livremente sobre ela, tentando não pensar muito e não modificar o texto. Depois nos reunimos e debatemos sobre como foi a experiência e sobre o que cada um escreveu.
No segundo encontro fizemos o exercício de escrever "como se estivesse dentro da imagem", tentando pensar sobre representação/sensação. Alguns se colocaram como personagens de uma cena e outros como se fossem a própria obra. As imagens dos exercícios foram escolhidas pelos participantes.
Como já conheço o trabalho dos artistas que convidei, Angélica Freitas, Pedro Barateiro e Rafael Rg fiz proposições mais diretas com imagens específicas.

O blog, como você propõe, é um espaço para correspondência entre os participantes da oficina e os artistas que colaboram à distância. Mas, em algum momento, você o pensou como um meio de registrar o percurso e o andamento da oficina?
FF: Sim, de certa forma o blog também foi uma forma de dar continuidade aos encontros presenciais. Postei conteúdo sobre artistas e escritores sobre os quais conversamos. Assim continuávamos pensando sobre a oficina e várias questões do encontro seguinte surgiam a partir do blog. Como nosso tempo foi curto, a plataforma virtual foi bem importante.


Lançamento da publicação "Como se escreve uma imagem?"
Domingo, 12 de dezembro de 2010, 14hrs, Terreiro Longe Daqui, Aqui Mesmo

Sobre Fabiana Faleiros: http://virandooazeite.blogspot.com/search/label/exposi%C3%A7%C3%B5es
Blog da oficina “Como se escreve uma imagem?”: http://comoseescreveumaimagem.blogspot.com/2010_10_01_archive.html

 

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