CuradoriaAlgumas Reflexões sobre a 29ª Bienal
10/12/2010 17:00

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  • curador da 29ª Bienal; Roberto Jacoby; Gil Vicente; Nuno Ramos

Dedicada às relações entre arte e política, a 29ª Bienal de São Paulo tinha em suas intenções permitir que o exercício político se alastrasse para além do âmbito das representações partidárias. “Tomamos seu nome de um verso sinfônico de Jorge de Lima –‘Há sempre um copo de mar para um homem navegar’- para deixar claro que a palavra poética é o nervo do nosso projeto”, explicam Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, curadores-chefes da 29ª Bienal de São Paulo.

Numa espécie de balanço de suas atitudes, a curadoria propõe uma reflexão sobre as polêmicas, às vezes, um tanto incabíveis, acerca de algumas obras presentes na exposição:

A presença dos três urubus dentro dos limites da obra “Bandeira Branca”, de Nuno Ramos, mesmo que licenciados, aos cuidados de um veterinário especializado em aves de rapina, muito bem alimentados e hidratados, em ambiente espaçoso e cumprindo com folga todas as condições de cativeiro em que foram criados, logrou inaceitável para a opinião pública, a ponto de os mesmos serem retirados da mostra.
"Bandeira Branca" sustenta, a partir de seu irredutível incômodo, uma necessária contraposição à lógica solar que moveu o nosso desenvolvimentismo, manifesta no vão central do prédio, onde a arquitetura de Niemeyer canta mais alto, fazendo vibrar em margens sinuosas as bordas das lajes, como a sacudir o otimismo do modernismo arquitetônico brasileiro, esparramando-o pela cidade. A poética de Nuno Ramos é da ordem das visões urbanas de Oswaldo Goeldi, das ruas noturnas e vazias esbofeteadas por vento e medo; da amarga constatação de Drummond -"Em verdade temos o medo, nascemos escuro"-, da melancolia dos nossos sambas.

Era preciso que no vão do prédio a temperatura caísse alguns graus, que a promessa de entretenimento fosse travada pela presença de edifícios calcinados, monumentos semelhantes a chaminés de fábricas mortas, encimados por músicas e aves soturnas, para que o esforço de celebração da política se fizesse mais forte. Pois o brasileiro, a despeito da alegria divulgada pela mídia, da histeria cultivada pelos departamentos de marketing, é também um bocado triste. E não é mal que seja assim. Sejamos alegres, mas nem por isso percamos a capacidade de criticar.


Embora vítima de leituras incapazes de ir além do mais superficial entendimento (ou simplesmente do desinteresse em entendê-la de fato), a obra de Nuno Ramos expõe de modo agudo e bruto, por meio da própria ausência dos urubus, aquilo que ele antes somente simbolizava: a existência de um Brasil que se fecha à escuta e que rejeita a conversa com o outro.

A respeito da série “Inimigos”, de Gil Vicente:
Para Moacir dos Anjos, curador da 29ª Bienal de São Paulo, a arte tem o poder de expandir o que pode ser percebido e sentido no presente. “Assim como a política, a arte reconfigura o repertório e as formas do que pode ser pensado, dito e visto por uma certa comunidade em um determinado momento. Nesse outro sentido, portanto, a arte pertence ao âmbito da política”. Para o curador, é nesse contexto tenso e complexo que melhor se pode apreender a singularidade da série Inimigos [2005-2006].

Em resposta ao texto São Paulo Arde: o espectro da política na Bienal, divulgado pelo artista Roberto Jacoby em seguida à solicitação de retirada ou encobrimento de parte da obra El alma nunca piensa sin imagen, exibida na 29ª Bienal de São Paulo, os curadores-chefes da exposição foram a público declarar, entre outros aspectos, que “em momento algum o projeto apresentado à curadoria da 29ª Bienal de São Paulo pelo Sr. Roberto Jacoby fazia referência direta à campanha presidencial no Brasil. Em todas as inúmeras comunicações feitas (por email, skype e telefone), o artista afirmou querer refletir sobre processos eleitorais a partir de uma campanha fictícia e hipotética. O conteúdo das informações fornecidas pelo artista está expresso no texto que apresenta sua obra, publicado no catálogo e no site da exposição”.

Para os curadores, a linguagem que atravessa os corpos coloca-os em relação uns com os outros e incita também à prática da política e ao entrechoque de diferenças. Assim, “é preciso ter em mente que a poesia é a seiva da linguagem, que brota de território selvagem que artistas ousam explorar, ao recusarem o já contabilizado e mostrarem o que não conhecíamos. Daí o estranhamento, a repulsa, o choque. Não é por outro motivo que a história da arte é pontuada por escândalos e incompreensões”.

Para ler a carta em resposta ao texto ao "São Paulo Arde": http://www.29bienal.org.br/FBSP/pt/29Bienal/Canal29/Paginas/Noticia.aspx?not=131
Para ler mais sobre Gil Vicente: http://www.29bienal.org.br/FBSP/pt/29Bienal/Canal29/Paginas/Noticia.aspx?not=74



 

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